Cobranças e Xingamentos a beira do campo: Exagero ou algo comum no futebol?

Alô Nação Santista! Saudações Alvinegras!

A Pandemia da Covid-19 (Coronavírus), mudou radicalmente a vida de todas as pessoas ao redor do Planeta, restringindo dentre tantas coisas, a presença de público em todas as atividades esportivas!
Com o futebol não foi diferente!


A falta de público nos estádios, talvez tenha sido um dos cenários em que mais se sentiu tal mudança!
Não bastasse o fato de os clubes deixarem de faturar receitas importantes para honrar com seus compromissos, além da ausência do calor da torcida com seus aplausos e incentivos vindos das arquibancadas

essa ausência trouxe outra consequência, que foi a de permitir que durante as transmissões esportivas, os torcedores começassem a ouvir com nitidez e pormenores, tudo o que acontece e é dito fora dos gramados, principalmente no que diz respeito a Comissão Técnica e banco de reservas!
Todos nós que torcemos e acompanhamos futebol, já vimos e ouvimos excessos serem cometidos vindos dos bancos de reservas. Já vimos acontecer em jogos de todas as equipas. Uns mais, outros menos.
O detalhe é que como já dissemos, agora com os estádios vazios, sem o barulho das torcidas, a potência dos microfones fez a coisa ganhar outra visibilidade.

Na partida entre Santos e Juazeirense, válida pela Copa do Brasil, mais uma vez devido a falta de público nos estádios, a transmissão da TV, captou vivamente e em alto e bom som, o comportamento do treinador do Santos, Fernando Diniz à beira do gramado.
Sua maneira no trato com os jogadores durante as partidas, já foi inclusive motivo de comentários de Narradores e Comentaristas durante as transmissões.
Chama bastante a atenção, a forma com que o comandante Santista se dirige aos seus jogadores, “Cobrando” de maneira enfática e vulgar” (com palavras de baixo calão e expressões rudes e ofensivas), quando os mesmos cometem algum erro ou executam dentro de campo, algo diferente do que ele treinador, queria que fizessem.

Que os palavrões fazem parte do vocabulário do futebol, todos nós já sabíamos! Não vamos ser falsos moralistas em não reconhecer isso. O enfoque que me parece que seja necessário que se dê, é outro. A pergunta é:

“ATÉ QUE PONTO ISSO INTERFERE NA FORMAÇÃO DE UM GAROTO DE 17/18 OU MESMO 20 ANOS?

O Santos Futebol Clube tem hoje jogando no time principal, no mínimo 70, 80% do time, formado por garotos que há seis meses, estavam jogando nas categorias de base!
Sabemos bem, que muitos queimaram etapas, e por pura falta de opções e principalmente condições financeiras do clube para poder contratar jogadores, a bem da verdade foram jogados os leões.
Estranhamente esse mesmo técnico que passa o jogo se utilizando de palavrões no tratamento dado aos seus comandados, sempre pede em suas entrevistas, que imprensa e torcida tenham paciência com os jogadores da base pois eles estão em formação.
Tratar os atletas dessa forma é ter paciência? Ajuda na formação do atleta?
Ou pode criar um trauma em quem ainda não tem uma formação completa de amadurecimento emocional, tirando-lhes a confiança?

Apesar das discussões acaloradas à beira do gramado serem consideradas corriqueiras por eles, os termos usados pelo comandante Santista, me parecem um tanto excessivos.
Será que aquilo que é falado no campo, fica mesmo só no campo?
Todos os que não usam os palavrões garantem não haver qualquer benefício prático em campo ao usá-los. Ninguém vai jogar mais ou menos por ter sido xingado.
A maioria dos envolvidos no mundo da bola gosta de utilizar uma frase sempre que surge o assunto sobre ofensas morais ocorridas dentro de campo: “Durante a partida, é muito difícil dizer por favor ou obrigado”. Nem todos concordam.

Penso sinceramente, que educação cabe em todos os lugares. Não precisa de palavrão para cobrar jogador!
Ofender atletas diante do grupo, é um caminho perigoso, que pode ter como consequência a ‘perda do vestiário’. Ou seja, os atletas ficarem revoltados, contra o treinador.
Mas para entendermos um pouco mais desse universo específico do futebol, e podermos debater melhor sobre o que é ou não é normal no campo, conversamos com a Doutora Sonia Roman, Psicóloga com especialização na área esportiva, e que por muitos anos trabalhos com as categorias de base do Santos!

Sonia: Prazer em te-la conosco, e antecipadamente já agradeço a gentileza de nos atender, e dar a sua importante opinião sobre o assunto!

 

Crédito de imagem: Foto Flickr Santos Futebol Clube / Ivan Storti
(Crédito de imagem: Foto Miguel Schincariol /saopaulofc.net

 

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