Santos Futebol Clube esteve muito perto de perder Kauan Basile considerado a principal joia das categorias de base do clube
Alô Nação Santista! Saudações Alvinegras!
Na virada do ano que marcou a transição entre 2025 e 2026, o Santos Futebol Clube precisou lidar com um dos maiores sustos das últimas temporadas: A possibilidade concreta de perder a jovem promessa “Kauan Basile”, atacante de apenas 13 anos, tratado internamente como a principal joia das categorias de base desde Neymar Jr, sobre como o futebol brasileiro forma seus talentos
A história revela em seus detalhes, as limitações estruturais que afligem até mesmo um clube tradicional como o Santos, e como a falta de investimento adequado em infraestrutura de base, pode colocar em risco o futuro de promessas que poderiam gerar receitas significativas para o clube.
O Rompimento: Quando a NR Sports Saiu do Jogo
Em dezembro de 2025, André Ricardo Ferreira, o pai de Kauan Basile, decidiu romper o contrato que mantinha desde 2023 com a NR Sports, (Empresa especializada em gestão de imagem). Essa decisão, aparentemente simples, revelou insatisfações mais profundas com a gestão da carreira do jovem atacante. A mudança de representação não era portanto, meramente administrativa! Era o sinal de alerta, que deveria ter acendido todas as luzes vermelhas na Vila Belmiro.
O rompimento que teve um custo financeiro substancial, foi bancado por um fundo ligado a Ricardo Guimarães, dono bilionário do Banco BMG e sócio da SAF do Atlético-MG, que precisou pagar uma multa de R$ 5,5 milhões por rompimento de contrato à NR Sports, para assumir a gestão de carreira do jovem atleta.
Esse valor monumental para um atleta pré-profissional, indicava o valor atribuído ao talento de Kauan Basile no mercado, mas também revelava uma dinâmica preocupante: O menino passava agora a ter três entidades interessadas em lucrar com sua carreira, antes mesmo de se quer pensar em completar sua primeira década e meia de vida.
A Mudança de Gestão: Quando Ricardo Guimarães Entrou em Campo
Com a saída da NR Sports, a trajetória de Kauan começou a se entrelaçar com os interesses do Banco BMG e de Ricardo Guimarães. Esse movimento não era inocente. Guimarães, como sócio do Atlético-MG, tinha acesso a recursos e estrutura que lhe propiciava oferecer ao jovem, uma proposta significativamente mais atrativa do que o Santos tem a oferecer.
O que passou a acontecer, então, foi uma convergência de interesses: O Clube Athletico-PR, apresentou sugestões imediatas em suas investidas no futebol de base, e sem perder tempo, iniciou negociações avançadas com a família do garoto, no intuito de levar para o Paraná, a maior promessa da atualidade do Futebol Brasileiro A combinação era poderosa: Um clube com estrutura de CT de classe mundial (CT do Caju) apresentando um projeto específico para o jovem atleta.
O CT do Caju: A Visita que Quase Selou a Saída
No sábado, 3 de janeiro de 2026, Kauan Basile visitou o CT do Caju, em Curitiba, acompanhado de seus pais, André e Tatiana. A visita não foi casual. Segundo apurações, o casal ficou surpreso com a estrutura oferecida pelo Athletico – um centro de treinamento que representava um contraste significativo com as instalações disponibilizadas pelo Santos para suas categorias de base.
O CT do Caju conta com dois hotéis com capacidade para abrigar 100 pessoas, sendo o mais novo com dois andares com elevador. São 25 quartos com quatro leitos em cada um.
Cada quarto conta com bancada para internet, ar condicionado, televisão a cabo e guarda-roupas individuais. Uma moderna sala de conferências e palestras de 230 m², com capacidade para 254 pessoas.
Nas dependências do CT, os atletas e colaboradores contam com dois restaurantes que oferecem um cardápio rico em nutrientes e de gastronomia apurada. Os restaurantes podem servir 180 pessoas simultaneamente.
O Centro de Treinamentos possui oito campos profissionais com dimensões oficiais (105x70m e 105x68m), sendo dois com gramado sintético, idêntico ao da Ligga Arena, um campo reduzido para treinamento de goleiros (52,5 x 68m), um míni estádio com capacidade para três mil pessoas sentadas e área específica para treinamento de desenvolvimento técnico.
Há também um ginásio coberto, utilizado geralmente em dias de chuva, além de uma quadra oficial de futsal, para trabalhos técnicos e de fundamento com os atletas das categorias inferiores.
Piscina coberta. Esta possui três temperaturas de água, àgua aquecida para hidroginástica regenerativa, água fria para recuperação de atletas lesionados e água gelada para recuperação muscular dos atletas após os treinamentos.
Centro de Treinamentos possui também estrutura para prática de outros esportes com quadras de tênis, basquetebol e futebol de areia. Além disso, possui um salão de jogos disponível para os atletas do clube, tudo isso distribuído em uma área de mais de 200 mil metros quadrados
Durante a visita, o Athletico apresentou um projeto detalhado para o jovem e sua família. O contrato oferecido era um contrato de formação com parceria próxima às atletas em transição para o futebol profissional, complementado por um acordo de direitos de imagem que oferece proteção financeira adicional. Para concretizar a operação, o Athletico estava disposto a pagar R$ 2 milhões ao Santos como multa rescisória.
A reunião foi descrita como positiva, e rapidamente a família do garoto Kauan chegou a um acordo preliminar com o Furacão.
O menino de 13 anos, estava literalmente com as malas prontas para se mudar para Curitiba.
Os Motivos Ocultos: Insatisfação Estrutural e Negligência Institucional
Por trás dessa quase transferência, havia um leque de insatisfações que transcendiam uma simples mudança de empresário. Informações reveladas durante a crise, indicavam que a família tinha preocupações referentes a estrutura oferecida pelo Santos, para o desenvolvimento de seus atletas de base.
A questão central era clara: Enquanto clubes como Palmeiras, São Paulo, Atlético-MG, Cruzeiro e até mesmo o próprio Atlético-PR investiram massivamente em centros de treinamento de última geração, com múltiplos campos de treinamento, academias completas, instalações de recuperação e programas nutricionais sofisticados, o Santos permaneceu com estruturas que, embora funcionais, não acompanham o padrão competitivo estabelecido pelos rivais.
Um ponto crítico frequentemente mencionado por analistas, foi a falta de investimento consistente em infraestrutura: Enquanto jovens talentos como Kauan, recebem a oportunidade de serem formados em ambientes que estimulam seu desenvolvimento técnico e físico de forma integrada, o Santos Futebol Clube ainda trabalha com limitações estruturais que tornam difícil oferecer a mesma qualidade de preparação encontrada em clubes mais bem financiados
Adicionalmente, havia a questão da estabilidade gerencial. A terceira mudança de empresário antes dos 15 anos de idade indicava um cenário de instabilidade que preocupava a família. A falta de uma estratégia clara e consistente de gestão de carreira para jovens promessas, era um sintoma de problemas organizacionais mais amplos.
O Acordo de Imagem: Uma Estratégia que Funcionou pela Metade
O Santos ciente da ameaça que rondava a permanência de sua maior joia da base, havia assinado em julho de 2025 um acordo de “licenciamento de imagem” com Kauan Basile, seguindo o modelo histórico que funcionou com Neymar Jr.
Esse acordo prévio, garantia ao Santos que qualquer clube que desejasse contratar o jogador, teria que desembolsar R$ 2 milhões especificamente pelos direitos de imagem, criando uma barreira adicional à transferência.
Contudo, esse acordo, embora protetor financeiramente, demonstrava uma passividade estratégica: Era um mecanismo defensivo, porém frágil. Enquanto protege a receita do clube em caso de saída, não oferece incentivos reais para que a família permanecesse. Nesse sentido, o Santos estava tentando manter seu ativo com multas, não com qualidade de projeto.
A Reviravolta: Como o Peixe Conseguiu Segurar a Joia
O Santos, percebendo que perderia literalmente uma de suas maiores joias, atuou rapidamente em duas frentes:
Primeiro, mobilização institucional: Na segunda-feira, 5 de janeiro, o clube se manifestou no “Movimento dos Clubes Formadores do Futebol Brasileiro”, reafirmando que não tinha interesse em negociar Kauan e que seu contrato de formação era válido até 3 de março de 2028.
Essa manobra burocrática, embora contenha restrições legais, exigiu vontade política de reter o atleta.
Segundo, negociação direta: O presidente Marcelo Teixeira reuniu-se pessoalmente com André Ricardo Ferreira na noite desta última segunda-feira, para rever os termos do contrato de formação do jovem. Essa reunião, diferentemente das anteriores, não foi meramente administrativa! Tratou-se de uma demonstração clara de que a alta cúpula do clube, reconhecia a importância excepcional do caso.
O resultado foi positivo para o Peixe: Kauan Basile assinou um novo contrato, desta feita não mais de “Imagem”, mas sim de “Formação” com o Santos, permanecendo no clube até 2028. Embora os detalhes exatos das revisões contratuais não tenham sido totalmente divulgados, é presumível que o Santos ofereceu melhorias nas condições até então oferecidas ao jogador e família!
PITACOS DO BERTOLDI
A saga de Kauan Basile, ainda que tenha acontecido favoravelmente ao Santos, expõe vulnerabilidades estruturais profundas no modelo brasileiro de formação de talentos. Três questões ficaram expostas com clareza:
- Infraestrutura como Fator Decisivo:
A visita ao CT do Caju, não foi casual na decisão da família.
Clubes que investem em centros de treinamento de classe mundial conquistam significativa vantagem comparativa, na atração e retenção de talentos. O Santos, apesar de sua história, não está nesse patamar e no momento não tem nem em sonho como competir!
- A Financeirização Precoce do Talento:
O fato de uma criança de 13 anos, ter tido em uma “Carreira no Futebol” que nem começou ainda, três representantes diferentes, gerando disputas por direitos que movimentaram moedas de milhões de reais, revela como o futebol moderno transformou promessas juvenis, em ativos financeiros, antes mesmo deles se consolidarem como jogadores profissionais. Isso cria instabilidade.
- A Insuficiência de Mecanismos Contratuais:
Multas rescisórias e acordos de imagem, embora protejam financeiramente, não substituem a qualidade de um projeto.
O Santos conseguiu segurar Kauan não por oferta de estrutura superior, mas por uma negociação de emergência. Isso é frágil.
Conclusão: Uma Vitória de Curto Prazo com Lições de Longo Prazo
O Santos conseguiu reverter a crise que quase tirou Kauan Basile de suas categorias de base, mas a vitória veio tarde demais e a um preço que revelou negligência anterior.
A verdadeira questão não é apenas se o clube manteve seu talento, mas se conseguirá, nos próximos anos, oferecer a infraestrutura, a estabilidade gerencial e um projeto ambicioso, que permitirá ao menino se desenvolver plenamente sob a camisa alvinegra.
O rompimento com a NR Sports, a entrada de Ricardo Guimarães, uma visita impressionante ao CT do Caju, foram sinais de alerta de que o Santos vai ter desde já, lutar contra o tempo para responder. A lição, para o clube e para o futebol brasileiro, é clara: talentos técnicos não esperam.
Eles vão para onde há estrutura, organização e visão de futuro.
Se os atuais e futuros Dirigentes do Santos Futebol Clube, não começarem desde já, aprender com esse episódio e promoverem uma profunda e urgente reestruturação não apenas em “Obras” mas principalmente em “Mentalidade”, dificilmente o torcedor Santista chegará a ver o jovem “Kauan Basile” estreando no time profissional do Santos, e a permanência do jogador obtida neste momento, terá sido apenas “Adiar o inevitável”
(Crédito: Imagem: Raul Baretta/Santos FC)
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